CONTENTORES DE LUISA CUNHA

Tensão,
Às nove horas da noite, a tensão começava a surgir no ar. Ainda assim a multidão ainda tinha muito para ler e para ver.

4 contentores, colocados de baixo da ponte mais movimentada do tejo. Nele pode ler-se um texto assinado pela Artista Luisa Cunha. As luzes fortes evidenciam a obra, o local, e convidam à sua leitura.

Depois de minutos de divagação em volta dos contentores.. depois de tentativas de subir e descer as únicas escadas existentes.. depois perguntarem mas de onde vão surgir eles?.. começa a ser notória a intenção a provocação inerente ao projecto.. Aumentam então as histórias e conspirações, a ansiedade e a curiosidade. Até que surge um novo elemento.

Ouvem-se pancadas de dentro do contentor. A cada momento de silêncio entre pancadas, surgem mais e mais questões, ideias e pensamentos que se começam a cruzar e chocam com a pessoa ao nosso lado.

Depois de bastante tempo, dois contentores são abertos.. Neles existem duas presenças fortes.. tão fortes que muita gente não aguenta..
Aquilo que provocou durante largos minutos pancadas anunciando a vida, foram frascos de perfumes projectados contra as paredes do contentor.

O cheiro, a presença deixada no ar de duas pessoas, um lado nasculino, outro feminino.. como a presença de Bruce e Luisa nos outros dois contentores?..

Este foi o primeiro momento de uma obra que irá durar “um tempo que ninguém sabe” – segundo Luisa –
Junto do local está um computador ligando Luisa ao mundo, onde qualquer um pode entrar em contacto com ela. Luisa e Bruce irão viver esse “tempo que ninguém sabe” dentro do contentor.
As palavras deixadas na minha breve conversa durante a exposição foram: Tension is Intension!

Uma das obras mais fascinantes que já passou por Lisboa!


Sandro Resende
P28
Dir.p28@pavilhao28.com