MIGUEL FLOR/ ENTREVISTA

Actualmente, a tua vida é delineada entre Porto e Lisboa. Isso influencia de alguma forma o teu método de trabalho?

Miguel Flor: Influencia completamente…
Negativamente: Antes de mais porque necessito de uma organização mais precisa para que nada fique por fazer quando não estou num dos sítios, depois porque a viagem e a preparação da mesma me rouba algum tempo na realização de alguns projectos.
Positivamente: Vivo em duas cidades que em muito diferem. Acabo por beber das duas e isso faz-me sentir mais aberto, informado, cosmopolita!

 

Se voltarmos atrás no tempo, durante a tua infância, o que imaginavas ser quando crescesses?

Miguel Flor: Realizador de cinema, arquitecto, designer de moda ou artista plástico.
Acabei por me inclinar para o design de moda na António Arroio. As pessoas da turma de têxtil eram mais interessantes que as de arquitectura.
O vestuário e os seus códigos sociais deram-me a certeza do que queria fazer.

 

O ensino fazia parte dos teus planos?

Miguel Flor: De todo. Talvez nunca tenha pensado nisso por ter tido uma relação próxima com o ensino, o facto da minha mãe ser professora primária.
Quando fui convidado em 2000 para dar aulas na Academia de Moda no Porto (onde estive 10 anos) senti o meu trabalho como designer valorizado. Dar aulas possibilita-nos a passagem de testemunhos.
Gosto bastante de estar nesse papel. Neste momento seria frustrante para mim não o fazer.

 

E influenciou de algum modo a tua prática enquanto designer?

Miguel Flor: A constante pesquisa que faço no sentido de melhor informar os alunos e a convivência com os mesmos dá-me também a oportunidade de avançar, aprender e estar mais seguro enquanto designer.

 

Fazer parte de equipas como a da Maison Martin Margiela ou do Studio Peclers, marcou o teu processo de design?

Miguel Flor: Sim, bastante. Não só o facto de ter trabalhado neste sítios mas também por me ter afastado de Portugal. No Studo Peclers tive a oportunidade de me relacionar com imensos designers e marcas e de perceber melhor como nasce uma tendência ou um movimento. Além de devorarmos revistas e livros de moda , arte, etc, fazia também parte do trabalho fazer shopping, ir a exposições, desfiles, cinema. Era muito interessante!
A minha ideia inicial ao querer estagiar (3 meses) com o Margiela era perceber como um designer tão conceptual podia ser ao mesmo tempo comercial. Mas o meu envolvimento em todo o processo criativo e comercial foi tanto que acabei por me manter (a convite da MMM) por muito mais tempo (cerca de 1 ano).
Na altura éramos à volta de 15 pessoas na equipa a contar com o próprio Martin. Fiz de tudo. Acompanhei os vários processos, aprendi imenso e alcancei (achei eu! he he!) a maturidade necessária para poder fazer a minha marca.

A tua mais recente colecção de calçado é resultado de uma colaboração com a loja Eureka
Qual foi o ponto de partida para essa colecção?

Miguel Flor: No inicio do ano passado e com a ideia de voltar a fazer a minha marca decidi começar por procurar uma parceria em termos de calçado. Na minha ideia de colecção os sapatos são muito importantes e talvez algo difícil de concretizar. Quando mostrei o meu portefólio à empresa eles ficaram muito bem impressionados e convidaram-me imediatamente para fazer uma colecção Miguel Flor for Eureka.
Logo desisti de recomeçar naquele momento a marca Miguel Flor. Queria envolver-me e aprender o mais possível sobre a fabricação de sapatos e isso iria exigir disponibilidade da minha parte.

 

Qual é o balanço que fazes dessa colaboração?

Miguel Flor: Muito positivo. Neste momento está a ser produzida a 3ª colecção. O interesse do público pelas colecções anteriores foram surpreendentes. Espero que assim continue.

Onde te vês daqui por cinco anos?

Miguel Flor: É super difícil de prever sem olhar para trás… Tenho a nível profissional feito coisas que não imaginava e que se revelaram autenticas surpresas mesmo para mim.
Como me relaciono com moda, arte, música ou fotografia tudo pode acontecer.

 

Para quando vamos poder voltar a ver-te com uma colecção de vestuário?

Miguel Flor: Adoraria dizer… brevemente!

 

Miguel Flor