NOISERV/ ENTREVISTA

Noiserv é considerado um dos projectos musicais mais criativos e estimulantes que surgiram em Portugal na última década. A fantástica simplicidade musical consegue fazer as delícias de qualquer amante de bandas como múm ou CocoRosie, mas com a particularidade de nos encher o coração de orgulho por ser português. Desde a partcipação na banda sonora do filme “José e Pilar” à incrível recepção do álbum “One Hundred Miles From Thoughtlesness”, sucederam-se actuações em palcos no estrangeiro, como na Alemanha, Áustria e Inglaterra.

David Santos é o nome por detrás deste projecto muito bem encaminhado e foi com ele que O Fluxo teve o prazer de conversar para vos dar a conhecer melhor o projecto noiserv.

Qual foi o principal impulso que deu vida ao projecto noiserv?

noiserv: Acho que foi a necessidade de fazer algo meu, algo em que mais ninguém tivesse de dar opinião, algo mais introspectivo sem necessidade de explicações, vinha de um ciclo de várias bandas em que as divergências eram sempre muitas, e de repente senti essa necessidade talvez um pouco egoísta, de fazer algo meu!

 

Consideras que ser um jovem músico em Portugal é uma tarefa difícil, ou achas que tem havido progressos nesse aspecto?

noiserv: Acho que tudo na vida dá trabalho, e exige muita dedicação, a música é apenas mais um desses casos. Ser jovem, ou iniciarmo-nos em qq coisa é sempre duro, em primeiro lugar muitas vezes não sabemos que rumo tomar e as indecisões são muitas, depois é complicado ser completamente desconhecido e acreditar no que se faz. Acho no entanto que isto é assim em qq lugar do mundo, em relação a Portugal acho que quando as pessoas gostam do que alguém faz sentem um enorme prazer em que esse alguém saiba disso, e isso é muito bom! Há a velha questão da falta de apoios na cultura, não é que não seja verdade, mas se é este País que temos é nele que temos de viver e fazer o nosso melhor.

Quando não estás em tournée ou a compor, o que costumas fazer nos teus tempos livres?

noiserv: Até há muito pouco tempo conjugava a música com um trabalho de Engenharia, a minha licenciatura, e ai pouco era o tempo livre. Hoje em dia acho que ainda não me apercebi do que são os tempos livres, apenas minutos livres, e nesses gosto de passear, ir ao cinema, e pensar o que fazer nos tempos não livres.

 

Quando actuas parece que estás a fazê-lo individualmente para cada uma das pessoas que te ouve. Quais é que achas que são os aspectos responsáveis para conseguir chegar às pessoas tão profundamente?

noiserv: Esta é uma pergunta um bocado complicado, pq não o faço com esse intuito, tento apenas ser o mais sincero comigo quando faço as músicas e por conseguinte quando as toco só faz sentido se essa sinceridade se mantiver. Fico muito feliz que as pessoas sintam as músicas dessa forma, afinal de contas é o que sinto ao ver os músicos que gosto : ).

“One Hundred Miles from Thoughtlessness”, foi um disco muito bem recebido tanto pelo público como pela crítica. De onde surge a inspiração para trabalhos tão bem concebidos como este?

noiserv: A inspiração surge do dia-a-dia, e da obsessão de tentar fazer com que cada pormenor seja a última hipótese de provar algo a mim mesmo. No fundo é tentar com a música dar sentido a tanta coisa que se vê e sente por aqui e por ali! É difícil de explicar, mas é apenas isso, transcrever para a música o que sinto ao viver!

O que tens ouvido ultimamente?

noiserv: Tenho ouvido de tudo um pouco, mas mais intensamente Sunset Rubdown, Grizzly Bear, The National, por ai…

Se o projecto noiserv não existisse, o que achas que estarias a fazer neste momento?

noiserv: Provavelmente o mesmo mas com outro nome : P!

Algumas ideias ou projectos para o futuro?

noiserv: Um novo disco de noiserv para o último trimestre do ano, e tentar seguir o caminho que venho a percorrer ao longo dos últimos 6 anos!

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